Fase 1: Criação

Fase 2: Arranjos Musicais

Fase 3: Ensaios

Fase 4: Gravação

Fase 5: Mistura

Fase 6: Audição

Fase 7: Masterização

Fase 8: Registo e Legalização

Fase 9: Fabricação

Fase 10: Distribuição e Comercialização

Fase 11: Conclusão

  

 

1. Criação

Neste trabalho são descritas, de forma simples, as principais etapas que um músico tem que completar para que possa colocar um CD musical no mercado, ao alcance dos consumidores.

Para que isso se torne possível, terá que criar algumas músicas e arranjos para elas. Depois terá que ensaiá-las até se achar pronto para gravar em estúdio. No estúdio terá que gravá-las e misturá-las da melhor forma possível, fazendo uma boa gestão do tempo utilizado. Tem depois que se certificar que o produto é correctamente reproduzido em sistemas diferentes, para que possa passar à fase de masterização. Depois é só registar as músicas, obter uma licença para duplicação e comercialização, fazer a capa e incumbir uma fábrica da fabricação dos CDs. No final faz-se um acordo com uma empresa de distribuição e o CD chega aos consumidores.

Pode parecer fácil, mas o que é certo é que a grande maioria dos músicos não chega sequer a gravar em estúdio…
 
Pretende-se com este trabalho dar a conhecer a potenciais interessados, as principais etapas necessárias à produção completa de um CD musical. Cada uma das etapas é descrita de uma forma simples, evitando o uso de termos demasiadamente específicos.

Por vezes ouvimos dizer que é fácil viver na indústria discográfica. Talvez. O pior é chegar lá…

Começamos, então, pela primeira fase: a de Criação.

Durante esta fase, o músico ou os músicos compõem uma melodia, geralmente acompanhada de acordes básicos, que constituem o primeiro arranjo musical. Apenas se pretende construir a base da música. Geralmente, e se a música não for instrumental, escreve-se também uma letra para acompanhar a melodia. Não há qualquer regra que defina o que deve ser feito primeiro. Ficará ao critério do autor criar primeiro, ou a letra, ou a música.

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02. Arranjos Musicais

Passamos à fase de Arranjos Musicais, em que o autor, através do uso de intrumentos, de frases musicais e de acompanhamentos e acordes próprios de cada estilo, procura "enquadrar" a sua música dentro do estilo musical pretendido. É claro que, muitas vezes, surgem estilos completamente novos, fruto da criatividade de cada autor.

Pode-se ainda acrescentar que os efeitos sonoros têm cada vez mais influência na definição de um estilo musical. Como exemplo temos o Rock actual cujo som não podemos dissociar de uma guitarra eléctrica ligada a um pedal de distorção ou overdrive. A utilização de efeitos permite ainda criar ambientes e texturas sonoras impossíveis de alcançar anteriormente.

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03. Ensaios

O passo seguinte são os Ensaios. Nesta fase o músico ou a banda procuram interiorizar a música de tal forma, que esta fique dominada (e até decorada). Reduz-se assim a possibilidade de enganos, quer em estúdio, quer em concertos ao vivo, ao mesmo tempo que surgirão novas ideias que poderão complementar ainda mais o arranjo musical, fruto dessa familiarização com a música.

Esta fase revelar-se-á muito importante no estúdio, uma vez que é um ambiente onde o músico está sujeito a diversas pressões que podem influenciar o seu desempenho, caso não esteja seguro. Esta segurança só se poderá conseguir com ensaios.

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04. Gravação

Embora os chamados home studios estejam cada vez mais em voga, com a descida de preços do material informático, os melhores resultados, sobretudo para bandas, são conseguidos num verdadeiro estúdio, onde as condições tanto acústicas como tecnológicas são francamente melhores. Porém têm uma grande desvantagem: pagam-se, geralmente à hora.

Nesta fase é conveniente, se não houver dinheiro para um produtor, definir um orientador que diga o que fica bem e o que não fica e que, no final, se encarregue da mistura. Poderá ser o encarregado do estúdio ou um dos músicos. Pretende-se com esta medida, aproveitar o tempo da melhor forma.

Em estúdio, no caso de uma banda, começa-se por gravar primeiro a bateria, que irá servir de orientação rítmica para os outros músicos que vão gravar depois. A gravação é feita, regra geral, individualmente. Se o estúdio for grande e tiver condições para isolar acusticamente cada instrumento, poder-se-á pensar em gravar tudo ao mesmo tempo, uma vez que cada instrumento irá para uma pista diferente. Nunca se deverá gravar, por exemplo, duas vozes ao mesmo tempo com o mesmo microfone, porque irá dificultar a mistura e, no caso de um dos cantores se enganar, ambos terão de repetir o take.

Em estúdio surgem, geralmente, ideias novas, porque há mais material para trabalhar e haverá sempre alguém com mais experiência a aconselhar. As músicas tendem, por isso, a ficar mais ricas.

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05. Mistura

Esta é já uma etapa final da gravação. Aqui acertam-se os níveis sonoros e a panorâmica de cada pista gravada. É também feita a equalização de cada uma das pistas e a aplicação de efeitos aos instrumentos.

Antes de começar e sempre que necessário, devem ouvir-se CDs bem conhecidos e bem gravados no sistema de reprodução do estúdio, que servirão de referência e comparação para a mistura que se irá efectuar.

Em relação ao ajuste dos níveis sonoros, deverá ser encontrado um equilíbrio entre instrumentos e vozes de modo a que todos se oiçam. Há, no entanto, uma tendência para realçar a voz, visto ser ela que "dá vida" à melodia.

Com a panorâmica podem criar-se verdadeiros ambientes sonoros, se a eles juntarmos a utilização de efeitos. Dando um exemplo simplista, se se tiver uma gravação de uma orquestra em que os violinos estavam à frente e à direita e os contrabaixos atrás e à esquerda, deve-se na mistura ajustar a panorâmica dos violinos para a direita e aplicar pouco ou nenhum reverb e, nos contrabaixos, ajustar a panorâmica para a esquerda, aplicando uma boa quantidade de reverb. Assim, quem ouvir a gravação ouvirá uma aproximação daquilo que ouviria, caso estivesse em frente da orquestra.

Quanto à equalização, deverá ser feita pista-a-pista, ajustando graves, médios e agudos para cada uma individualmente e, no final deverá ser feita uma equalização ouvindo todas as pistas ao mesmo tempo. Durante esta fase, para não "borrar" o som, é por vezes melhor reduzir do que aumentar. Por exemplo, se o som de uma guitarra tiver poucos baixos deve primeiro tentar reduzir-se nos agudos e não aumentar os baixos.

Durante a fase de mistura surgem normalmente muitas ideias que conduzem a uma grande modificação do produto final.

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06. Audição  

Após a fase de mistura há que passar à fase de Audição e avaliação das músicas gravadas e misturadas. Como cada sistema de reprodução tem as suas características muito próprias, é natural que uma gravação que tenha ficado óptima no estúdio vá soar mal numa outra aparelhagem. Assim, a gravação deverá ser ouvida no maior número de sistemas possível e corrigida no estúdio, sempre que necessário, até se encontrar uma mistura que soe o melhor possível em todo o lado.

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07. Masterização

Nesta fase, basicamente, trabalha-se já com o as músicas no seu todo e não com as pistas individualmente. Ajustam-se os níveis de maneira óptima para que não haja nem ruído, nem distorção. Uma gravação muito baixa irá concerteza deixar "transparecer" ruído, enquanto que uma gravação além dos limites irá ficar distorcida.

Durante esta fase é também feita uma equalização final, mais minunciosa de cada uma das músicas.

No final é gravado o master, que irá ser utilizado para a duplicação dos CDs.

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08. Registro e Legalização

Para que o músico possa dormir descansado, certo de que ninguém lhe vai roubar o direito às suas músicas, tem que registar cada uma delas num organismo competente. Em Portugal, quem trata da segurança dos autores é a SPA (Sociedade Portuguesa de Autores).

É também a SPA que concede licenças para duplicação e comercialização do CD, depois de verificar que o produto não viola os direitos de outros autores já registados.

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09. Fabricação  

Qualquer CD em comercialização tem uma capa (salvo raras excepções). Esta, depois de concebida e elaborada, deverá ser entregue numa disquete, juntamente com o master, ou uma cópia deste, à fábrica que se irá encarregar da duplicação dos CDs. Os CDs copiados na fábrica são prensados e não gravados a laser, como acontece com os gravadores CD-R. O preço de um CD prensado é muito mais baixo do que o de um CD-R.

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10. Distribuição e Comercialização

Para que haja certeza de que o CD chega a toda a gente, é feito um acordo com uma empresa de distribuição. É claro que sai muito mais caro do que se fossem os próprios músicos a fazê-la, mas as probabilidades de sucesso também são muto maiores.

Por fim, o produto chega às rádios e às discotecas e começa a promoção do CD, que é feita de inúmeras formas, como por exemplo: concertos ao vivo.

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11. Conclusão

É certo, que à partida, a produção de um CD musical parece uma tarefa fácil, mas é na realidade algo difícil e moroso. Envolve grandes esforços físicos, mentais e financeiros da parte dos músicos, que nem sempre vêm o seu trabalho ser acreditado. Se a isto aliarmos o facto de que, na indústria musical da actualidade, os interesses económicos falam mais alto do que o talento dos músicos, verificamos que a grande maioria dos músicos nem sequer consegue chegar ao primeiro patamar da produção de um CD: a fase de gravação.

É então uma indústria na qual será mais ou menos fácil sobreviver, mas que é muito difícil de atingir. Esperemos que o futuro nos reserve mais facilidades e mais apoios nesse sentido.

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